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A Morte de Olavo de Carvalho

A Morte de Olavo de Carvalho

A Morte do Olavo de Carvalho é péssima para a esquerda.

Ele era prova irrefutável do grau de estupidez que a direita é capaz de atingir.

Morreu o maior símbolo do negacionismo e paranóia anti-comunista da direita brasileira. Morto, o guru do bolsonarismo cairá no esquecimento rápido, como quase todas fabricações midiáticas. Vivo, ele era uma inconveniente e constrangedora lembrança a todas pessoas racionais que se consideram conservadoras, liberais e de direita. Como alguém com um mínimo de lucidez e inteligência poderia defender um clã político cuja bússola ideológica é um sujeito que duvida até de que a Terra gire em torno do Sol – Isso não é piada nem exagero! – ou que diz que a Pepsi é adoçada com células de fetos humanos?

Mesmo com todo simbolismo da morte por Covid-19 de um anti-vacina, anti-máscaras, cloroquiner e negacionista total da pandemia, o astrólogo vivo teria muito mais valor. Aliás, sou contra a “censura” das redes sociais; seria ótimo mostrar, hoje, a tonelada de mentiras e desinformação em relação ao vírus propagadas por várias de suas vítimas fatais. Nem mesmo o Prêmio Darwin de seleção natural compensa o fim desse inconveniente espelho do “conservador cristão” brasileiro.

O mal causado por Olavo é irreparável, até porque envolve centenas de milhares de vidas humanas e milhões de hectares de florestas perdidos durante um governo causado, em parte, por ele. Mas o guru do bolsonarismo, assim como os bolsonaros, não são a doença; são sintomas. Olavo de Carvalho foi lançado pela mídia de massa brasileira pertencente aos bilionários que detém esse oligopólio de informação. Como a paranoia anti-comunista do astrólogo era conveniente para os donos dos veículos, ele foi catapultado a filósofo e pensador. Já com fama nos veículos tradicionais, Olavo se lançou na internet e, através da nova tecnologia de manipulação de massas – os algoritmos e a inteligência artificial – o autoproclamado filósofo passou a ser líder do neoconservadorismo brasileiro. Foi mentor de muita gente que foi às ruas acreditando estar “salvando o país do comunismo e da corrupção”.

Enfim, Olavo de Carvalho fez o papel do idiota útil na mão dos canalhas que fomentaram a distopia que vivemos. Justo ele que achava que ensinaria aos outros como “não ser um idiota”. Embora dissesse o que muitos queriam ouvir e tivesse um poder nato de persuasão, seria apenas um tiozão de boteco que nos entretém com suas maluquices, se não fosse o impulsionamento dado pela Globo, Folha, Veja, JP, Record, Google, Facebook, Twitter, etc. Embora, como todo negacionista, contasse com um enorme peso de pensamento desejoso, mostrou, com sua morte, que acreditava nas maluquices que dizia; não era um mentiroso.

Ele deixa um legado de destruição moral, ambiental, social e de vidas humanas, mas morreu na hora errada. O vento gélido da histeria paranoica conservadora já passou; precisávamos dele vivo, falando suas sandices. Explicitando que tal nível de insanidade, negação da realidade e irracionalidade carrega a direita brasileira.

 

(Artigo escrito em 25 de janeiro de 2022)

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